sábado, 9 de fevereiro de 2008

ASSIM COMO AS FLORES

Hoje, enquanto a suave chuva acalmava meu dia,
E uma doce melodia tocava minha alma
Meus pensamentos começaram a se dispersar.
Comecei a olhar para o passado, lembrar de quando era criança,
Lembrei dos dias felizes que compartilhei juntamente com minha família,
Das cócegas que meu pai fazia em mim e que por sinal detestava (aparentemente),
Mas na verdade adorava receber seu carinho.
Meu pai sempre com um sorriso no rosto e um jeito brincalhão.
Veio a mente também os dias em que me minha mãe queria me ensinar a cozinhar,
E eu por preguiça dizia: Ahm mãe eu não levo jeito para isso,
E ela com um olhar carinhoso apenas falava: te conheço moçinha,
Mas mais cedo ou mais tarde terá que aprender; e dávamos risada.
(E nesse breve momento consigo sorrir enquanto as lágrimas vertem no mesmo compasso da chuva.)
Tinha o hábito de todas as tardes após a escola brincar com meus amigos,
Era muito bom, todos os dias a mesma brincadeira, eu era a única menina a passear com carinhos na mão pela rua.
Jamais me esquecerei de quando estávamos cansados, mamãe parece que sabia o exato momento, aparecia com biscoitos e suco bem gelado. Hum e aquele momento se transformava em festa, para nós simples crianças.
Tempos bons também foi à época de colegial, pessoas fantásticas que me ensinaram grande parte do que sei, mas o que realmente guardo na memória são amigos professores, aqueles pacientes e carinhosos, que tinham amor pelo que faziam, grandes mestres.
Enquanto falo sobre um breve trecho de minha vida os segundos estão passando,
Já não sou mais uma criança, já não brinco com meus amigos, meu pai não faz cócegas em mim, já terminei o colegial, porém minha mãe insiste em me ensinar a cozinhar; ela é persistente, admiro isso nela.
Sabe, agora tudo parece ser diferente,
A responsabilidade traz maturidade ao ser humano,
Só que estou percebendo que quando uma pessoa e madura demais e possui altas responsabilidades, ela deixa em branco uma grande parte de sua vida.
Não descrever qual sentimento que se adapta melhor a isso, orgulho, vaidade...
Creio que seja ambição!
É... A ambição venda os olhos sentimentais dos homens,
E a única coisa que nos vem a mente são riquezas materiais;
Daí surge aquela questão, será que vale a pena?!
Ontem enquanto observava uma mulher jogar dois vasos de flores fora, comecei a pensar em várias coisas, (estava em um lugar triste, um cemitério).
Aquilo deixou meu coração agoniado, só de saber que nossas vidas não passa de momentos me bateu o desespero.
É como comparar nossas vidas com aquelas flores, da mesma forma que elas nasceram, cresceram, tiveram momentos de beleza e admiração de vários, chegaram ao fim.
O fim é trágico e infelizmente é “o fim”, não o que fazer depois que perdemos alguém que amamos.
Fomos agraciados com algo chamado consciência, um sentimento frágil, sensível, que nos pode proporcionar momentos de paz e tranqüilidade, assim como minutos de tristeza e lamentações.
Eu só espero ter tempo suficiente para fazer hoje a máximo possível de tudo aquilo que quero fazer amanhã.
Sim , quero ter tempo para perdoar, abraçar meus amigos, quem sabe brincar novamente com meu pai, e até aprender a cozinhar.
Quero ter tempo para amar mais, ser mais humano, sentir a necessidades e carências das pessoas e fazer de tudo para ajudá-las.
Quero que chegue a noite e eu possa deitar com minha consciência tranqüila,
E se por ventura amanhã não estiver mais aqui nessa dimensão;
Quero que as pessoas que mais amei nesse mundo levem adiante uma mensagem de diferencial.
Nunca saberemos quando será o nosso fim,
Mas se não puder fazer tudo, tente fazer ao menos tudo o que puder.
Seja mais humano, ame mais, transmita o perdão, seja exemplo, abrace, diga as pessoas que elas são especiais...
Tenha os olhos da vida e faça de seus melhores momentos eternos,
Seja uma eterna criança..
Etiane Neves 09/02/2008